Até quando vamos negar a realidade com ela é? Até quando vamos lutar contra o que faz parte da vida? Não venho defender nada além do factual que nos invade… Está na hora de encarar as coisas e tentar lidar de uma vez por todas com o que existe no mundo. Tenho visto o assunto sobre o “Kit contra a homofobia” e consigo perceber o mal estar provocado pelo assunto. O “kit homofobia”, como vem sendo chamado, foi elaborado por entidades de defesa dos direitos humanos e da população LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e travestis) a partir do diagnóstico de que falta material adequado e preparo dos professores para tratar do tema.
Não estou aqui para defender isso ou aquilo, mas sou inteiramente a favor de tentar desmistificar o que parece ainda muito mal compreendido. A polêmica acontece, infelizmente devido a crença persistente de que a homossexualidade possa ser “ensinada” ou “incentivada”… É preciso ficar claro que o que se está discutindo é uma diversidade sexual que “já existe”, que não foi a escola a inventora… Independente do rumo que esse controverso “Kit” tenha, considero fundamental que a “informação” seja a arma mais poderosa contra o preconceito… Digo isso porque acredito que a forma negativa como o material tem sido encarado, vem, essencialmente do “desconhecimento” em relação ao conteúdo e, não menos importante, do objetivo da introdução do mesmo nas escolas…
 Segundo Houaiss, dicionário eletrônico, preconceito quer dizer, idéia, opinião ou sentimento desfavorável formado sem conhecimento abalizado, ponderação ou razão. Essa é a base para minha reflexão: A ignorância, estado de quem não tem conhecimento, acaba usando argumentos vazios, mascarando um princípio de que a homossexualidade é ruim e tem que ser combatida, evitada. E esse é o alicerce do pensamento homofóbico. A homossexualidade é uma das três principais categorias de orientação sexual, juntamente com a bissexualidade e a heterossexualidade. Carecemos de informações e, acima de tudo, respeito pela diversidade, seja ela sexual ou não. Falo de promoção dos direitos humanos no sentido mais sublime da palavra… Nesse sentido, levanto a bandeira de sujeito exclusivo, independente de sua orientação sexual, para que possa ser inserido na sociedade com uma biografia incomum, enquanto cidadão “desejante”, participante e, acima de tudo, atuante.
 Acho que é chegada a hora de criticarmos menos, julgarmos menos e procurarmos compreender mais… Compreender não significa “estar de acordo”, mas talvez entender, através do saber, a importância de aceitar a diversidade como inevitável na vida marcada pelo livre arbítrio e pela possibilidade eterna de somar, multiplicar… Cada um de nós carrega uma missão individual, única, mas que pode fazer uma enorme diferença nesse mundão…
Esse é um convite à reflexão: Tudo que existe, vive uma realidade subjetiva e não cabe a nós julgar, classificar, estigmatizar ou excluir… Ser humano é dotar-se de si, na sua mais profunda essência e particularidade… Precisamos sim ir à busca de nós mesmos, da nossa forma pessoal de existir na vida, da nossa marca indelével que será deixada na história… O momento não permite mais tanta resistência, tanta rigidez, tanta hipocrisia… Precisamos incluir, valorizar o outro, aprender com o que é diferente de nós, nem pior, nem melhor, apenas diferente… Porque a beleza da vida não está na monocromia e sim na multiplicidade das cores, que juntas, em harmonia, podem formar paisagens inimagináveis!