Confesso que desde pequena tinha a mania de escrever… Escrevia por qualquer motivo: por que queria falar para eu ler, porque queria que outros lessem, porque queria extravasar meus sentimentos e minhas emoções, porque queria expressar o que nos gestos e na fala eu não podia dizer… Ainda guardo uma pasta lotada de alguns escritos redigidos principalmente na adolescência. Minha maior inspiração, acreditem, era nos momentos de tristeza profunda ou até mesmo quando eu estava “roendo” (rs…). Ah! Como eu roia! Colocava uma fita cassete com músicas oficiais de dor de cotovelo e mandava ver no chororô… Às vezes o papel ficava molhado pelas lágrimas e a escrita tornava-se borrada… Depois de um tempo resolvi usar uma lapiseira, objeto que, na minha terra era usado para substituir o lápis propriamente dito…
Eu falava de tudo sob a minha percepção. Sempre fui muito observadora e me fascina escrever sobre o que vejo, sinto e percebo. Entretanto, jamais escrevi desejando fazer das minhas palavras, verdades absolutas… O que desejo mesmo é me expressar sem medos, provocar reflexão, mexer com o pensar do outro… Sempre fui questionadora e tenho um pouco de dificuldade de aceitar as coisas que me dizem que são porque são… Ora, nada mais insuportável para mim do que essa máxima pronunciada milhões de vezes por figuras, inclusive, muito importantes para mim, como meu pai e minha mãe… Nada é como é simplesmente porque é… Fica uma sensação de vazio, uma angústia por causa de uma imposição com a finalidade de deixar claro “quem manda aqui”…
Gosto de desorganizar o que parece organizado, gosto de sugerir possibilidades de pensar e agir diferente… Falar sobre o que não é dito, falar das coisas da vida, das coisas de gente… Alguns me tacham de “abusada”, mas, para entender melhor esse adjetivo, transcrevo o que o dicionário eletrônico Houaiss refere: “ que vai além do razoável ou permitido, que é dado a atrevimentos, que costuma fazer provocações”. Concluo sem querer fechar jamais, que, humildemente acho esse adjetivo bem parecidinho comigo… Enfim, preciso deixar claro que não escrevo para agredir ninguém, tão pouco para mandar recados! No entanto, se ao ler minhas palavras houver qualquer tipo de identificação, aí, infelizmente preciso informar que qualquer semelhança, não é mera coincidência e sim, uma boa carapuça…