Minha tese não se baseia em nenhuma teoria comprovada. Minha proposição é sustentada na experiência de ser uma mulher e de escutar mulheres e homens diariamente. Por isso, não levem esse tema como uma afronta, uma verdade incontestável, uma defesa em nome de ninguém… Essas palavras são apenas a expressão feminina de uma mulher de mente forte e coração sabiamente frágil, sem ser fraca. Essas palavras são de alguém que ainda deseja, ainda que enquanto sonho poder exercer o papel de mulher sem tanta cobrança interna e externa, sem precisar provar nada para ninguém, começando por mim mesma…
Lutamos bravamente por um lugar ao sol e conquistamos cada pedaço de direito que nos parecia a saída para o sucesso. Brigamos, gritamos, mostramos a cara, a fala, o grito, mas nos perdemos no quinhão… Perdemos a conta e acabamos por confundir igualdade de direitos com igualdades de papéis. Faço essa reflexão por me sentir absolutamente dentro dessa situação e não como defensora de classe alguma. Hoje somos tão homens quanto os homens. Deixamos nossa “natureza” omitir-se na provável intenção suprema de guerrear objetivando vencer. O problema é que nessa guerra, não existem ganhadores e o que escuto insistentemente, são mulheres sumidas no meio do seu ser e homens perdidos sem saber o que ser…
Não se trata de ser feminista ou machista – Homens e mulheres são vistos e respeitados à luz dos aspectos plurais inerentes à sua singularidade. Trata-se de uma discussão que ultrapassa isso. Estou tentando falar sobre os desencontros de homens e mulheres apesar da igualdade. Mulheres belas, inteligentes, realizadas profissionalmente, independentes financeiramente que relatam solidão, por não conseguir um par. Por outro lado, vejo homens também interessantes, capazes, com autonomia, igualmente realizados no campo profissional, com medo de relacionarem-se, inseguros para assumir qualquer compromisso afetivo.
O que tenho visto são mulheres desconhecendo sua própria natureza, trocando a fragilidade que lhes é própria pela idéia errônea de fraqueza e poder. Somos mulheres poderosas sim! Simplesmente pelo fato de sermos mulheres… Especialmente diferentes e dotadas de particularidades únicas suficientemente capazes de encantar um homem. Por que estamos confundindo tanto os papéis, os lugares? Observa-se uma conjuntura conflituosa, uma cultura que “aparenta” exaltar a liberdade da mulher, do seu prazer, mas que, ao mesmo tempo, nos prende nas amarras da ditadura da beleza, expondo os nossos corpos em rótulos de garrafas e estampas de qualquer produto muitas vezes ratificando a manutenção da condição servil feminina que tanto alegamos não suportar.
Será que o controle ainda não continua? Infelizmente, as identidades são construídas no interior das relações de poder… Estamos servindo a quem quando lutamos por uma igualdade que não nos deixa livres de verdade, com autonomia para “ser”? Ser mulher pode ser maravilhoso quando aceitamos nossa subjetividade, nosso “ser” e permanecendo fortes… Um “ser” forte, capaz de gerar, parir, cuidar, gozar, trabalhar, amar e lutar para continuar feminina, mulher, femininamente forte…